Click
Publicado
em 10/8/2006 às 15:00
Texto
por João Paulo Rezek
Como
ele faz isso? Bom, imagine que sua vida fosse um filme em DVD, caro delfo nauta.
Com o tal controle, você poderia rever tudo o que quisesse no seu passado,
podendo escolher se quer ver as coisas escutando comentários ou não. Mas
espere! Não é só isso não! Você ainda poderia paralisar as pessoas quando
quisesse, diminuir o volume de conversas chatas para não ser obrigado a escutar
baboseiras e o melhor, pular capítulos! Vamos supor que você quer muito acessar
a DELFOS, mas está numa ilha deserta, de férias com seus parentes mais
chatos, incluindo sua sogra. Com o controle nas mãos, bastaria você dizer
“pular para o dia em que chegaremos em casa” e apertar o botão do “Forward”.
O
que acontece, na realidade, é que pra você o tempo pula até o momento desejado,
mas para o mundo ao redor o tempo corre normalmente e você também está lá, no
chamado “piloto-automático”, ou seja, o seu corpo agüenta toda a chatice, mas,
para a sua mente, é como pular um capítulo. Legal isso, não? A principio parece
ser bem legal, mas o problema de tudo, que faz a trama do filme começar a ficar
triste, é que o aparelho tem memorização automática e é esse o outro lado da
moeda.
Quando
Michael Newman (o personagem de Sandler) começa a pular por repetidas vezes as
coisas de seu cotidiano, como discussões com a esposa, o tempo perdido no
trânsito e etc, tudo desaba ao seu redor. No momento em que ele decide não
fazer mais isso, já é tarde. O controle memorizou e todas as vezes que sua
mulher começa a brigar com ele, pula o capítulo até ela ter se acalmado. O pior
é que essa é só uma das coisas memorizadas, e o que acontece é que o tom cômico
do filme muda completamente quando o tempo vai passando cada vez mais rápido e
logo nos deparamos com um Michael Newman velho, que mal reconhece os próprios
filhos (que, para ele, crescem uns 3 anos a cada dia) e também não sabe que
morreu uma pessoa muito importante de sua família (que eu obviamente não vou
contar quem é, para não estragar a surpresa), enquanto ele estava no “piloto
automático”.
Esse
momento em que Newman se dá conta de que sua vida toda passou sem que ele
tivesse aproveitado nada dela é bem triste mesmo. Foi nessa hora que esse
crítico que vos escreve quase chorou. Ainda digo que Click é o
filme mais triste de Adam Sandler por causa dessa parte final, que se resolve
de modo bem clichê, mas que não chega a estragar essa comédia romântica.
Confesso
que, com esse Click, até me lembrei daquele filme Um Homem
de Família, com o Nicolas Cage, afinal a melancolia de alguém que só vive
para o trabalho e não aproveita a família está presente aqui do mesmo modo que
está no filme de Brett
Ratner. A diferença está mesmo no tom mais bem humorado
presente no roteiro deste aqui, que, apesar de
bobo e muitas vezes grosseiro, faz rir bastante. É por isso que esse é, também,
o filme mais engraçado de Adam Sandler. Confuso? Então assista e entenderá
melhor.

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